O brigadeiro é família, carinho e profissão. Entrou para a cultura popular para ficar

Conheça a linha do tempo do brigadeiro. A receita original do brigadeiro acabou servindo de base para outras adaptações bem conhecidas, como o beijinho e o cajuzinho, típicos para os dias de festa.
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Lucas Corazza, mestre confeiteiro. (Foto: Reprodução)
 
Se existe uma unanimidade no Brasil, ela atende pelo nome de brigadeiro. Ninguém, em sã consciência, é capaz de torcer a cara diante desse docinho simpático, redondinho, decorado com chocolate granulado ou miçangas de açúcar. Das muitas histórias sobre a origem do brigadeiro, todas remetem ao período pós fim da Segunda GuerraMundial. Era época de eleição para presidente no Brasil e um dos candidatos era o Brigadeiro Eduardo Gomes (1896-1981). O Brigadeiro, por sua vez, tinha muito prestígio entre as mulheres e usava a fama de galã, claro, a seu favor. O slogan de campanha era especialmente direcionado a elas: vote no brigadeiro, que é bonito e solteiro”.
 
Muitas das eleitoras, entusiasmadas, se empenhavam na campanha voluntária para o candidato, promovendo encontros, chás, festas e eventos para dar mais visibilidade a Eduardo Gomes. Foi numa dessas reuniões, regadas a doces e brindes,que dona Heloísa Nabuco, uma distinta senhora da sociedade do Rio de Janeiro, surgiu com um doce feito à base de leite de condensado, manteiga e chocolate. A invenção, claro, foi um sucesso. A doce novidade, apresentada no comitê, passou a ser produzida em maior quantidade e distribuída nas outras reuniões. As mulheres, em vez do “santinho” tradicional do candidato, distribuíam o docinho para ganhar votos.
 
Como era época de pós-guerra, não havia tanto leite fresco à disposição. Por isso, dona Heloísa arriscou o leite condensado, que havia sido criado para esterilizar a pré-refrigeração do leite. O produto acabou se tornando indispensável em tempos de guerra e, quem diria, é o principal ingrediente do docinho mais popular do Brasil até hoje. Já o candidato, Eduardo Gomes, da UDN, perdeu a eleição para Eurico Gaspar Dutra, candidato do PSD em 1945, quando, pela primeira vez, as mulheres votaram para presidente do Brasil e nessa época se iniciou um regime democrático que duraria 19 anos. A receita original do brigadeiro acabou servindo de base para outras adaptações bem conhecidas, como o beijinho e o cajuzinho, típicos para os dias de festa. No beijinho, em vez de chocolate, a receita leva o coco. 
 
brigadier-6597018_1920 Receita original do brigadeiro acabou servindo de base para outras adaptações. (Foto: Pixabay)
 
E, na receita do cajuzinho, adiciona-se o amendoim. Mas, nada, nada se compara à imbatível mistura do leite condensado, manteiga e chocolate. De resto, énão deixar grudar na panela, enrolar as bolinhas na mão ou, de forma mais atual e gourmet, servir em delicadas colheres.
 
Linha do tempo
  • 1925: O leite condensado, no Brasil, passou a estampar a marca Moça em seu rótulo.
  • 1945: O brigadeiro é inventado por uma senhora da sociedade carioca para ser servido nas reuniões de campanha do candidato da UDN, o Brigadeiro Eduardo Gomes, à presidência do Brasil. No ano em que as mulheres votaram pela primeira vez no País, o Brigadeiro perdeu a eleição para Gaspar Dutra.
  • 1950: Passa a ser conhecido como “doce de brigadeiro”.
  • 1953: No Rio Grande do Sul, ao contrário do restante do país, o doce é chamado popularmente de negrinho.
  • 1988: Lançamento do brigadeiro em lata, já pronto. Dentro da linha Moça Fiesta, da Nestlé.
  • 1990: O brigadeiro ganha diferentes versões, com ingredientes como capim santo, trufas, e frutas como o cupuaçu.
  • 2000: Vira moda ao ser servido em colheres em restaurantes e recepções.